À Margem de Irapé: consequências da barragem no rio Jequitinhonha uma década após sua implantação
Pedro de Carvalho Costa, Flávia Maria Galizoni
Revista Espinhaço · 2020
doi:10.5281/zenodo.3937478 (opens in a new tab)
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Abstract
Este artigo buscou sintetizar o significado de um projeto desenvolvimentista para a população dos municípios atingidos pela Usina Hidrelétrica de Irapé (UHE), uma década após o início do seu funcionamento. A área alagada pela represa da UHE de Irapé atingiu sete municípios do alto curso do Rio Jequitinhonha, Nordeste de Minas Gerais, levando ao remanejamento de aproximadamente cinco mil pessoas e afetando outros milhares de habitantes das margens do lago. A longa resistência da população atingida resultou na conquista de direitos fundamentais no processo de remanejamento, mas não impediu as perdas socioeconômicas, culturais e políticas significativas ocasionadas no violento transcurso de implantação da obra; esta procurou-se legitimar pela justificativa da promoção de desenvolvimento para o vale do Jequitinhonha. A partir de metodologia qualitativa, buscou-se identificar consequências do empreendimento por meio de entrevistas com representantes de diferentes setores da sociedade. As narrativas foram analisadas e organizadas para sistematizar o complexo objeto estudado. A presença da represa alterou as relações da população com os recursos naturais, gerou frustração de diferentes segmentos sociais com relação a possibilidades de desenvolvimento, e colapso da forma de organização de vida de grupos camponeses.
Abstract licence: CC BY
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