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AS MÚLTIPLAS DIMENSÕES DOS CONFLITOS NA SOCIEDADE DO CAPITAL (MESA 1)

Robson Formica, Antonio Thomaz Junior

Revista Pegada Eletrônica · 2015

doi:10.33026/peg.v16i0.3531 (opens in a new tab)

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Abstract

MESA I -AS MÚLTIPLAS DIMENSÕES DOS CONFLITOS NA SOCIEDADE DO CAPITALRobson Formica -Representante do Movimento de Atingidos por Barragens do Paraná.Eu vou falar sobre questões que o Movimento [dos Atingidos por Barragens] tem discutido, tem se pautado.E tentar fazer uma relação com o tema proposto para a mesa 1 de hoje, sobre as dimensões dos conflitos nesse contexto.Eu vou recuperar o histórico da trajetória do Movimento e nisso também, vão se colocando alguns dos elementos, como é que esses conflitos vão se manifestando e como é que a dinâmica do processo de resistência e de luta, enquanto movimento social vai se aprumando nesse processo.Eu sou da Coordenação Nacional e Estadual do Movimento de Atingidos por Barragens, esse é um ano especial, enquanto organização nacional, já que o movimento completou 20 anos em março, mas a história de luta e de resistência das populações atingidas é anterior, bem anterior à organização do Movimento de Atingidos por Barragens.Ela começa a ganhar uma visibilidade maior no final, já em meados dos anos de 1970, com o processo de construção das grandes hidrelétricas, muito dentro de uma estratégia do governo militar, de construção de grandes obras, do Brasil potência, do Brasil grande, onde estas obras eram sinônimos do progresso, do desenvolvimento, e de uma necessidade de afirmação do Brasil com essa perspectiva e nessa lógica.Nessa dinâmica difícil, porque eram momentos duros da luta social, algumas manifestações iam começando a se organizar de forma regionalizada.No início então, na região Sul, as comissões regionais de atingidos por barragens, no norte do Rio Grande do Sul; aqui no Oeste do Paraná também, com Itaipu; no Norte, com o Tucuruí; no Nordeste o polo sindical; no Sudeste do São Francisco, e uma série de outros espaços.E que vão buscando criar algum espaço de resistência e de luta, no início, com um caráter muito mais sindical, no sentido de tentar garantir algumas condições materiais e econômicas para as famílias que eram aleatoriamente desalojadas dos seus espaços de vivência, de seus territórios.Isso avança com os anos de 1980, é um momento já no final dos anos de 1970, que tem todo um contexto histórico que vai permitindo o surgimento de atores sociais que estavam invisibilizados em função do regime militar.Também pelas condições sociais e 1 "As múltiplas dimensões dos conflitos na sociedade do capital".MUNDO DO TRABALHO (número especial da XV Jornada do Trabalho) Revista Pegadavol.16, n. especial 148 maio/2015 históricas desse momento, como as greves operárias do ABC e de outras regiões; as lutas sindicais que começam a aparecer, especialmente na cidade, mas que vão para o campo, com pressões sindicais, articulação de centrais de trabalhadores e sindicais também até o surgimento dos movimentos sociais de forma mais articulada, nos anos de 1980, nessa onda do processo de abertura e de redemocratização política do país.Então, essas comissões regionais começam a perceber que há um problema que não é apenas um problema localizado, regionalizado ou de uma natureza específica.É um problema que tem uma lógica que segue um ordenamento político, uma intencionalidade e que então, de certa forma, força esses sujeitos que estão nessas regiões, nessas articulações, nessas frentes -que eram uma característica desses períodos anteriores -a se organizar em um espaço, em uma organização de caráter nacional, com unidade política, unidade de ação, unidade de pauta.Dando uma característica um pouco mais homogênea, levando em conta claro, todas as diferentes peculiaridades regionais que temos no país, mas é um pouco esse o contexto e rapidamente, é um pouco como é que vai se organizando esse processo.Especialmente no final dos anos de 1980 e início dos anos de 1990, também em função desse ambiente social, histórico que o país vive, é o momento no qual se consegue avançar nessas lutas sociais e com importantes resultados.O resultado da luta se materializa em ganhos econômicos, sociais, materiais, concretos, em importantes vitórias.Isso também provoca as utopias e um projeto político mais estratégico de ruptura com essa sociedade que se apresentava e que continua.Mas, é a partir dos anos de 1990, com essa reestruturação produtiva e, mais precisamente, no começo dessa década com a implementação das políticas neoliberais, todo o movimento dos trabalhadores, seja ele, o movimento social, o movimento sindical ou de outras formas de organização começam a enfrentar grandes dificuldades em todo ponto de vista da resistência, e mesmo têm dificuldades de avançar naquele acúmulo de conquistas que vinham conseguindo a partir do processo de redemocratização do país.Na questão da energia e na questão dos atingidos por barragens, há um processo de privatização do setor elétrico que vai colocar desafios e limites, dificuldades extremamente complicadas de resolver, desde o ponto de vista das garantias dos direitos destas populações.Esse processo todo força ao Movimento a pensar e perceber a dimensão da energia de uma forma um pouco mais ampliada, não apenas como o direito das populações atingidas pela formação dos lagos das hidrelétricas, mas começa a provocar e a desafiar esse processo de organização de luta dos atingidos e a tentar compreender em

Abstract licence: CC BY

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