Editorial Moda e Economia Criativa
Joana Martins Contino
Diálogo com a Economia Criativa · 2023
doi:10.22398/2525-2828.8225-8 (opens in a new tab)
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Abstract
A moda é um fenômeno com muitas facetas e que pode ser abordado por variados vieses.Como bem de consumo simbólico, o vestuário é veículo de expressão de subjetividades, de demarcação de posição social e de pertencimento ou diferenciação.A respeito desse aspecto, Diana Crane (2006), em seu livro A moda e seu papel social: classe, gênero e identidades das roupas, destaca que roupas e acessórios são as mais evidentes marcas de status social e de gênero e, por isso, a moda tem importante papel na manutenção e subversão de fronteiras simbólicas.De acordo com a autora, "o vestuário constitui uma indicação de como as pessoas, em diferentes épocas, veem sua posição nas estruturas sociais e negociam as fronteiras de status" (CRANE, 2006, p. 21).Além disso, como elemento da cultura material, as roupas e os adereços pessoais expressam identidades coletivas, contam histórias de grupos sociais e falam-nos sobre o "espírito do tempo".Enquanto setor produtivo, a longa cadeia da moda -que se inicia na agricultura, passa pela produção de fibras, fios e tecidos até chegar à indústria de confecção e, finalmente, ao varejo -representa um importante setor da economia, responsável por grande geração de renda e empregos.Segundo os dados mais recentes disponibilizados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT, 2023), no ano de 2021, a cadeia têxtil e de confecção contava com 22,5 mil unidades produtivas formais em todo o Brasil e seu faturamento foi de R$ 190 bilhões.No mesmo ano, o setor foi responsável por 6% do valor total da produção da indústria brasileira de transformação e gerou 1,34 milhão de empregos formais e oito milhões de postos de trabalho indiretos, alocando 19,5% do total de trabalhadores da produção industrial.Na indústria clássica de moda, entre esses profissionais, há uma grande variedade de funções: costureiros, modelistas, auxiliares, gestores, empreendedores e criativos.Estes últimos, de acordo com o Mapeamento da indústria criativa no Brasil (FIRJAN, 2022, p. 60), somam quase 27 mil vínculos empregatícios.Se, por um lado, a indústria da moda é vetor de desenvolvimento socioeconômico, por outro provoca grandes impactos socioambientais.São bastante comuns altos índices de informalidade e de precariedade do trabalho.Mais ainda, os itens de vestuário são a segunda classe de produtos com maior risco de terem sido produzidos por trabalhadores em escravidão contemporânea, atrás apenas da categoria "computadores, laptops e smartphones" (WALK FREE, 2018).
Abstract licence: CC BY-NC-ND
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