A cidade, o progresso e o espelho quebrado de Narciso
Ricardo Felipe Santos da Costa
Resgate · 2019
doi:10.20396/resgate.v27i1.8654911 (opens in a new tab)
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Abstract
Com o advento da República e o desenvolvimento da economia ligada ao café, verificam-se nas sessões da Câmara Municipal de São Paulo, de forma quase regular, referências orgulhosas ao progresso da cidade. Inspirando-se no método do historiador Michel de Certeau, porém, este artigo busca os desvios das falas, entre a cidade que se pretende, normatizada, e a cidade que se vive. A miséria que desfila nas ruas entre novos viadutos, praças arborizadas e o Theatro, não espelhava os ideais civilizatórios acalentados em uníssono pelos legisladores. Relativizando o bom ou mau gosto, frente às contradições de uma cidade narcisista, este estudo pretende colocar os seus esforços em analisar uma realidade urbana complexa, com os seus conflitos e representações. Para tal, propõe-se trabalhar com a série documental constituída pelas Actas e Annaes da Câmara Municipal de São Paulo, além de jornais da época. O período cronológico contempla dois marcos legais: o Código Penal (1890) e o Código de Menores (1927). Assim, entre a compaixão e o amor de si próprio, com relação ao escândalo da miséria e a agonia dos que a vivem nas ruas, por fim, este artigo investiga o tratamento dado pela municipalidade à filantropia, bem como as suas intenções.
Abstract licence: CC BY-NC-ND
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