Cannabis e saúde mental: uma revisão sobre a droga de abuso e o medicamento
Felix Kessler
Brazilian Journal of Psychiatry · 2009
doi:10.1590/s1516-44462009000100022 (opens in a new tab)
We email you when a new notice or a question about this paper appears.
Abstract
O livro Cannabis e Saúde Mental foi escrito por autores pósgraduados na área de Psiquiatria, Neurologia e Farmacologia, especialistas na temática vinculada às substâncias psicoativas e à dependência química, sendo alguns deles renomados investigadores e professores de universidades, o que corrobora a seriedade com que o assunto é abordado.Como o próprio subtítulo aponta, eles revisam desde aspectos históricos do uso da maconha até as mais recentes descobertas científicas relacionadas a ela.Perpassam por temas costumeiramente polêmicos, como o uso medicamentoso dessa droga, porém sem emitir opiniões pessoais, fazendo um relato não preconceituoso e metodologicamente crítico sobre as evidências atualmente disponíveis.O primeiro capítulo descreve os primórdios do uso da cannabis pelas civilizações asiáticas, enfatizando a busca por seus efeitos medicinais e no psiquismo, passando pela sua posterior difusão para o ocidente e o preocupante aumento do consumo com finalidade hedonística nas últimas décadas.Em seguida, o leitor encontra um detalhado estudo da farmacologia da maconha, incluindo os tipos de canabinóides e outras substâncias contidas nessa droga.O tópico sobre a interação medicamentosa torna-se especialmente importante para médicos e psiquiatras que lidam com pacientes usuários.Da mesma forma, o conhecimento dos efeitos da cannabis sobre o sistema nervoso também tem extrema utilidade para os demais profissionais da saúde.Para explicar de forma mais didática o impacto da maconha sobre a noção do tempo, por exemplo, os autores citam Baudeleaire: "...a noite inteira era mensurável pela profusão dos meus pensamentos... Ainda que ela tenha me parecido longa, tive a impressão de que havia durado apenas alguns segundos".E explicam que esses efeitos variam de acordo com cada indivíduo, experiência prévia e setting no qual a droga é utilizada.Ressaltam também que a recente descoberta dos receptores canabinóides auxiliou a compreender o complexo papel dos endocanabinóides e da droga no organismo humano, facilitando o desenvolvimento de agonistas e antagonistas com fins terapêuticos.Outros capítulos não menos relevantes destacam os efeitos neurofisiológicos e cognitivos da maconha.Além disso, são mencionadas as técnicas de neuroimagem estruturais e funcionais utilizadas para avaliar os usuários, clareando-se a existência dos inúmeros danos causados pelo uso crônico dessa droga.Danos esses que podem também repercutir diretamente na psicopatologia.Por isso, em seqüência, os autores tecem considerações, por meio da apresentação de estudos epidemiológicos, prospectivos e com populações de alto risco, sobre a associação do uso de maconha com alguns transtornos mentais, como os de ansiedade, humor e psicóticos, inclusive adentrando na antiga discussão sobre ela causar ou não esquizofrenia.Um capítulo particularmente interessante é o que discorre sobre o canabidiol, substância também contida na mesma planta em grandes quantidades, mas pouco conhecida dos psiquiatras.Seus efeitos são atípicos (hipnótico, anticonvulsivante, 82
Abstract licence: CC BY-NC
Reads
Read by people on this page
None yet.
Checked or read by AI through naulon
None yet.
A person counts once a day per paper. We keep no cookie and no address: a reader is a hash that changes every day. Any month under five reads shows no number.
Are you an author?
Is this your paper?
Claim it to add your note and be paid when agents cite it. Free.