Distanciamento, reflexividade e interiorização da pessoa no ocidente
Luiz Fernando D. Duarte
Mana · 1996
doi:10.1590/s0104-93131996000200007 (opens in a new tab)
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Abstract
Desde a publicação, em 1987, de Les Économies de la Grandeur (em colaboração com L. Thévenot), Luc Boltanski vem aportando sucessivas contribuições ao quadro analítico então inaugurado (Boltanski 1990; Boltanski e Thévenot 1989; 1991), que é, grosso modo, contemporâneo à implantação do novo laboratório que anima na École des Hautes Études en Sciences Sociales (o Grupo de Sociologia Política e Moral -GSPM).La Souffrance à Distance refina e ilumina aspectos relevantes da história do sujeito na ordem política da cultura ocidental moderna, de modo mais fluente e ameno que as obras anteriores, verdadeiros manifestos epistemológicos sustentados por uma arquitetura analítica de impecável rigor.Esta nova obra reforça, sem dúvida, a impressão de novidade e riqueza que o esquema das "economias da grandeza política" veio aportar à sociologia contemporânea.A aplicação de uma rigorosa lógica empirista/nominalista aos problemas clássicos do vínculo sociopolítico, sem cair nas banalidades mais habituais do "individualismo metodológico", permite a Boltanski e seus companheiros de empreitada vigorosos recursos de análise de algumas áreas da vida social, sobretudo as que qualificam as sociedades modernas como "críticas" ou "reflexivas" (para usar dos seus termos).Numerosos e importantes trabalhos surgiram assim à sombra do GSPM, dedicados à análise das formas de "protesto", "denúncia" e "justificação" ("provas", "acordos", "traduções", "transportes" etc.) nas mais variadas áreas da experiência social das sociedades metropolitanas (justamente aquelas onde prevalecem as equivalências políticas propícias à generalização de um universo "crítico") 1 .Algumas estratégias analíticas dessa "sociologia da crítica" se afastam das práticas da sociologia européia e vêm ao encontro das da antropologia social que se desenvolve no Brasil: o pressuposto de equivalên-
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