O capitalismo pós-nacional e os riscos da inserção desigual do Brasil
José Vicente da Silva Lessa
Revista Brasileira de Política Internacional · 1999
doi:10.1590/s0034-73291999000100010 (opens in a new tab)
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Abstract
JOSÉ VICENTE DA SILVA LESSA Percebida neste final de século como a macrotendência histórica a conformar o futuro dos povos, a globalização econômica não chega a ser um fenômeno novo.Suas grandes linhas já se vinham prenunciando ao longo de todo o século XX, enquanto que algumas das suas raízes se pode facilmente buscar no século XIX.Nas últimas duas décadas deste último, a exacerbação da corrida colonial e imperialista das grandes potências já exprimia o "ímpeto" do capitalismo para integrar ao conceito de mercado áreas geográficas cada vez maiores.Remontam também ao século passado a formação de algumas corporações multinacionais, bem como um certo internacionalismo capitalista, expresso na proliferação de acordos comerciais, e socialista, que pretendia, desde então, "globalizar" a produção pela integração mundial da classe operária.Duas grandes guerras marcaram, na centúria que ora termina, a exaustão do velho sistema de economias fechadas, competindo por domínios coloniais, zonas de "co-prosperidade" e "espaços vitais".Enquanto as fronteiras econômicas das nações industriais tradicionais e emergentes coincidiram com suas fronteiras políticas, a expansão de mercados, condição essencial do empreendimento capitalista, impôs a essas nações uma política imperialista agressiva, formadora de zonas internacionais de exclusão, seja pela posse de um império colonial, pela manutenção de esquemas preferenciais com nações periféricas (dos quais é a Commonwealth britânica o exemplo mais completo), ou pelo recurso extremado da guerra orientada ao estabelecimento de áreas de domínio ou influência.Dos escombros da Segunda Guerra nasce, contudo, uma autêntica nova ordem, onde o capital aos poucos se transnacionaliza e os espaços econômicos se integram.A nova clivagem política do mundo em "esferas" de confrontação ideológica irá beneficiar a acumulação capitalista, à medida que permitirá justificar investimentos estatais maciços em tecnologias militares, cuja reversão para o emprego civil insufla, ainda hoje, a notável verticalização tecnológica deste século.A globalização propriamente dita viria a completar-se no desmonte do bloco socialista e conseqüente "triunfo" dos princípios do mercado em praticamente todos os quadrantes do planeta.O vago emprego cotidiano do termo, no entanto, dificulta avaliação mais precisa de seu alcance e de suas implicações.Por esta razão, optamos neste ensaio pelo termo capitalismo pós-nacional, que acreditamos possua propriedades heurísticas superiores.Trata-se de exprimir, em um conceito,
Abstract licence: CC BY
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